Medo de andar de avião, medo da morte, medo de barata, medo de ter medo, medo de ser enganada, medo do desconhecido... O fato é que todos nós carregamos dentro da gente um tantinho de medo, alguns têm medo da morte, outros de perder um ente querido, outros de baratas... O medo serve para nós como um freio, um sinal de alerta, que nos impede de atravessar a rua sem olhara para os lados, de nos arriscarmos a dormir com a porta de casa aberta...
Falando em medos, tenho os meus, confesso que já fui uma neurótica do medo- acredita que eu tinha medo de até ter medo? Pois é, passei um bom tempo da minha vida com medo de ter medo, medo do desconhecido, medo de enfrentar a vida, medo de assumir que tenho medo, que não sou autossuficiente
Eis que agora surge o meu mais novo medo - o 'medo do esquecimento'. Quem diria que EU ( a dona da razão, amante da autossuficiência) estaria sofrendo desse mal!? Pois, sofro, e como ando sofrendo, sofro porque o outro não é tão presente na minha vida como eu gostaria, sofro porque as coisas mudam, e infelizmente ou felizmente, eu não tenho o controle dessa mudança.
Sofro porque a dor da ausência é sentida na alma, não provoca hematomas, nem fraturas expostas, mas dói, fere porque assumir a consciência de 'que nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia' é também reconhecer que com o tempo exerce sobre nós uma sensação de esquecimento...
Diante disso, só me resta concordar com o poeta Mário Quintana: 'Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho'.

